Nov 21, 2017 11/21/17
Operação Anadyr
A versão soviética da crise dos mísseis de Cuba (1962)
Operação Anadyr Renzo Grosso
Renzo Grosso on terça, setembro 22, 2015
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Política [19]

Em 1962 o mundo esteve a um passo de uma batalha nuclear entre as duas superpotências da época: Estados Unidos e União Soviética. Tudo começou quando um avião espião americano fotografou e identificou mísseis nucleares na ilha de Cuba, então sob forte influência soviética.
Com tamanho perigo, o presidente americano John Kennedy exigiu a imediata retirada dos mísseis da ilha. Já o soviético Kruschev, que não aceitava ordens, muito menos dos americanos, ignorou a exigência. Estava montado o cenário.
Durante os treze dias de outubro daquele ano, o mundo ficou apavorado com a possibilidade de uma nova guerra global de proporções inimagináveis. Em 28 de outubro, Kruschev concordou em remover os mísseis de Cuba, mas só depois de, secretamente, negociar a retirada dos mísseis americanos da Turquia. E o mundo repirou aliviado.
Desse episódio surgiu um Kennedy vitorioso, que livrou os Estados Unidos da ameaça soviética logo alí no seu quintal. Pelo menos na versão americana dos fatos.
Mas os russos tem uma versão diferente, que a pesquisadora Svetlana Savranskaya pode demonstrar. Svetlana, que é russa e hoje trabalha no National Security Archive da George Washington University, editou um livro com Sergo Mikoyan, filho de Anastas Mikoyan, um ilustre desconhecido, mas que teve papel fundamental na questão dos mísseis, já que foi ele quem instalou e depois os removeu de Cuba.
A Operação Anadyr, como os soviéticos a chamavam, previa a instalação de mísseis de médio alcance em Cuba com poder bélico maior do que a OTAN mantinha na Alemanha e cabia a Anastas cumprir a tarefa.
O que os americanos não sabiam era que haviam em Cuba diversos tipos de armas, inclusive nucleares como bombardeiros e foguetes táticos "Luna", mesmo depois do acordo com Kruschev. Eles não imaginavam que todo esse poderio militar permanecia na ilha, tão próximo deles, e só descobriram isso em 1992 quando os prórpios russos contaram!   Durante a crise, a CIA relatava que os russos haviam colocado dez mil soldados em Cuba. Na verdade eram quarenta mil ! Haviam instrutores e unidades de combate que formavam um grupo formidável de forças soviéticas.
A intenção dos russos não era proteger uma ilha, mas manter os pés bem perto de uma potência inimiga, que poderia tentar uma nova invasão como fizeram na malsucedida Baía dos Porcos, com mais de mil e duzentos exilados cubanos ligados ao antigo regime de Fulgêncio Batista e apoiados, claro, pelos Estados Unidos.
A versão soviética dos mísseis só veio à tona numa conferência realizada em Havana em janeiro de 1992 com a presença de vários militares soviéticos de alta patente numa missão organizada pela própria Svetlana. Também estavam presentes o então secretário americano Robert McNamara, vários membros do politburo de Cuba e historiadores de universidades americanas. Um desses militares soviéticos era o General Gribkov, que planejou a Operação Anadyr e depois comandou as forças do Pacto de Varsóvia.
Ao discursar na conferência, Gribkov abriu uma pasta e disse aos presentes que iria apresentar esse fato dos mísseis, até então secreto, mas que já era possível revelar. McNamara ficou atônito com o que ouviu. Achou que poderia ser um erro de tradução ou alguma coisa não muito clara. Pediu para que Svetlana confirmasse a tradução e, ainda incrédulo, pediu que Gribkov repetisse a declaração.
A fala de Gribkov foi confirmada por documentos que a então União Soviética havia produzido naqueles trinta anos. Os arquivos do Kremlin confirmavam que as armas continuavam lá o tempo todo, sem que os americanos soubessem.

Fidel Castro nâo queria as armas na ilha, mas não quis que saíssem de lá depois que soube do acordo entre Kennedy e Kruschev. Sentiu-se traído. Quer dizer, a ameaça continuava lá e ninguém sabia.
Assista a reportagem da Globo clicando aqui ! 


Informações do livro "The Soviet Cuban Missile Crisis", de Sergo Mikoyan e Svetlana Savranskaya.
Além de filho de Anastas, Sergo era também seu secretário particular. Viajou com o pai e anotou todas as informações dessas viagens, conferências e reuniões.


           
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